Delivery próprio vs marketplace: a conta real
Eu já ouvi de uns 30 donos de restaurante: 'vou sair do iFood, vou ter delivery próprio'. Às vezes faz sentido. Às vezes não. A diferença está numa conta que ninguém faz com cuidado.
Eu já ouvi de uns 30 donos de restaurante: "vou sair do iFood, vou ter delivery próprio". Às vezes faz sentido. Às vezes não. A diferença está numa conta que ninguém faz com cuidado.
O que o iFood realmente cobra
Comissão padrão na maior parte do país: 23% a 27% do valor do pedido, dependendo do plano. Esse percentual cobre:
- Aquisição de cliente (você não paga marketing).
- Plataforma de pedido.
- Logística (entregador).
- Cartão de crédito do cliente.
- Atendimento ao consumidor final.
Some isso e parece exagero. Mas quando você decompõe, cada um desses custos existe mesmo que você saia do iFood.
O custo do delivery próprio
Vamos compor: você quer sair do iFood e fazer próprio.
- App / site de pedido: R$ 800-2000 / mês (Goomer, Anota AI,
similares) ou R$ 10-15k pra construir próprio.
- Marketing pra trazer cliente: você vai precisar de Google Ads,
Instagram, redes sociais. Conta R$ 2-5k / mês mínimo pra ter volume.
- Logística (sua frota ou Uber Direct): R$ 8-15 por entrega
dependendo da distância.
- Taxa de cartão: 1.5-2.5% por pedido.
- Atendimento: alguém respondendo Zap o tempo todo.
Some isso e divide pelo volume. Pra um restaurante que faz 800 pedidos / mês via delivery, o custo total fica em torno de 20% a 25% do faturamento de delivery.
Surpresa: nem sempre é mais barato
Você sai do iFood (27%) e fica com seu próprio (22%). Diferença: 5 pontos. Em R$ 50k de venda delivery, são R$ 2.500 / mês. Bom, mas não é a revolução que parecia. E você perdeu:
- O volume orgânico do iFood (cliente que já está no app procurando
comida).
- A descoberta de marca — novo cliente te encontra mais fácil lá.
Quando o próprio compensa
- Volume alto e estável (1500+ pedidos / mês): aí a economia de escala
cobre o custo fixo.
- Marca já forte na região: você não precisa gastar tanto pra ser
encontrado.
- Operação que prioriza margem por pedido (tíquete alto, fidelização).
Quando marketplace continua sendo melhor
- Volume médio-baixo: você não tem como diluir custo fixo de delivery
próprio.
- Marca em construção: iFood traz cliente novo.
- Equipe enxuta: gerenciar entregador e atendimento próprio rouba foco.
Como o Chateau.ia trata isso
Tratamos os dois canais lado a lado. Você roda híbrido — uma fatia no marketplace, outra no próprio. O sistema te mostra qual está dando margem melhor por canal, e te ajuda a decidir onde investir aquisição. A maioria dos restaurantes que conheço vai operar híbrido durante muito tempo. Não é "marketplace vs próprio" — é mix.
Sobre o autor
Anderson Henrique
Engenheiro de software com 8+ anos de experiência. Pernambucano, fundador do Chateau.ia. Trabalhou em projetos de tecnologia no Brasil, EUA, Reino Unido e Honduras.
Conhecer trajetória completa