Forneria 1121: lições do primeiro piloto
Toda startup tem o primeiro cliente que define o produto. Pro Chateau.ia, esse cliente é a Forneria 1121, em Recife. Aqui vai um relato honesto do que aprendi rodando software junto com pizza saindo do forno.
Toda startup tem o primeiro cliente que define o produto. Pro Chateau.ia, esse cliente é a Forneria 1121, em Recife. Aqui vai um relato honesto do que aprendi rodando software junto com pizza saindo do forno.
A escolha
A Forneria 1121 não foi escolha aleatória. É uma casa moderna, com chef ativo, equipe jovem, operação focada em pizza napolitana com cardápio controlado. Era exatamente o cenário onde o Kitchen Pass faria sentido mais rápido — prato repetido, padrão claro, alta cadência.
Primeira semana: o que quebrou
- Câmera no pass quente demais. Pizzaria a lenha tem ambiente de 45-50
graus perto do forno. Câmera de prateleira começou a engasgar. Tivemos que migrar pra industrial.
- WiFi inconsistente. A cozinha tinha um ponto morto bem onde a câmera
ficou. Resolvemos com mesh.
- Kitchen Pass aprovando pizza errada. O modelo, treinado com fotos
controladas, aceitou pizza com a borda errada nos dois primeiros dias. Refinamos com fotos do dia a dia, não só "fotos perfeitas".
Nenhum desses problemas você descobre em desenvolvimento. Só rodando.
Segunda semana: o que surpreendeu
- DRE inteligente virou rotina mais rápido do que imaginei. O dono
começou a usar comando de voz pra lançar gasto. Em 5 dias, ele estava fechando o caixa pela manhã sem planilha.
- Equipe de cozinha gostou do Kitchen Pass. Eu esperava resistência
("não quero IA me julgando"). O contrário aconteceu: virou referência — "olha, o sistema aprovou esse aqui, foi bom".
- Reservas via WhatsApp dispararam. A integração permitiu agendar pelo
Zap, e o canal cresceu 40% em duas semanas.
Terceira semana: o que mudamos no produto
- Adicionamos um botão "Aprovar manualmente" no Kitchen Pass pra
quando o garçom achar que o prato está bom e a IA discorda. Cria histórico pro modelo aprender.
- Mudamos o tom do Xatô — ficou mais direto, menos "assistente
formal". Começou a falar como o chef fala.
- Aceleramos o fluxo de cadastro de fornecedor — em vez de tela
modal, virou autocompletar inline.
O que continua difícil
- Tradução do conhecimento tácito do chef pra ficha técnica. Algumas
coisas o chef faz "por instinto" e não estão no padrão escrito. A IA precisa de padrão. Trabalho continuado.
- Onboarding de garçom novo. O sistema é fácil pra quem usa todo dia.
Pra quem entra e usa pela primeira vez, ainda tem fricção.
O que isso virou pro produto
Cada problema acima virou release. Kitchen Pass refinado, Xatô recalibrado, fluxo de cadastro acelerado, botão de aprovação manual, modo de treinamento pra novato. Sem o piloto, eu teria construído um produto imaginado, não real. A próxima fase do beta entra em junho com mais 19 restaurantes. Cada um vai mostrar uma nova borda.
Sobre o autor
Anderson Henrique
Engenheiro de software com 8+ anos de experiência. Pernambucano, fundador do Chateau.ia. Trabalhou em projetos de tecnologia no Brasil, EUA, Reino Unido e Honduras.
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